BATEU é um movimento cultural de Florianópolis que nasceu em 2016 visando a construção de uma cena de música eletrônica na cidade baseada em ideais sociopolíticos de inclusão, segurança, acolhimento, coletividade, conscientização, liberdade e representatividade.

A equipe é formada majoritariamente por pessoas LGBTs, negras e mulheres, tendo igualmente esses grupos como público principal. São diferentes minorias sociais reunidas com um objetivo comum: a criação de espaços para se expressarem livremente, sem julgamentos ou preconceitos, acreditando na arte e no fervo como ferramentas de resistência, união e também de transformação social, pelo empoderamento de minorias que, ao vivenciarem essa experiência de livre expressão, criam forças para assumirem suas identidades em outros espaços da sociedade.

Em prol da inclusão dos grupos que são menos presentes na música eletrônica, a BATEU disponibiliza entrada gratuita para pessoas trans em seus eventos, sendo necessário enviar o nome antecipadamente, e um lote de ingressos com valor mais baixo para a inclusão de pessoas negras, através de promoters.

Outro aspecto essencial do movimento é o compromisso com a representatividade e o rompimento de padrões estilísticos na curadoria. Cada evento é pensado para ter uma experiência diferente dos anteriores, promovendo a ampliação da consciência artística do público para uma grande diversidade de sensações que a arte pode despertar. DJs, performers e artistas visuais dialogam continuamente entre si e com a pista, que manifesta sua expressão através de looks criativos e da dança, dando vida à um ritual mágico de celebração, êxtase e conexão.

As festas, que começaram com 150 pessoas em um inferninho no centro da cidade, hoje atingem a marca de 600 pessoas no Bar do Deca, um espaço paradisíaco na beira da Praia Mole e histórico para a comunidade LGBT da ilha. Pensando em sua manutenção à longo prazo, o projeto aposta no crescimento orgânico e no posicionamento político para atrair pessoas com ideais semelhantes. Após cada edição, é realizado um questionário de feedback, em que todas as opiniões são refletidas com muita atenção pela equipe. Assim é estabelecida uma relação democrática e aberta com o público, que colabora com a evolução do movimento.

Com o objetivo de expandir sua área de atuação, em 2019 a BATEU passa a trabalhar em diferentes esferas. Com um portal na internet, pretende ser um espaço de acesso à informação acerca de diferentes expressões culturais de minorias, com música, ensaios de fotografia e vídeo, matérias, entrevistas e documentários, sobre artes, política, história, comportamento, projetos sociais etc. Com o projeto BATEU Soundsystem, o objetivo é levar a experiência artística com DJs e performers residentes do movimento para outras cidades, com edições já realizadas em São Paulo, Curitiba e Balneário Camboriú. Em breve a BATEU também irá oferecer cursos artísticos nas áreas da discotecagem, produção musical e performance a custo social para minorias, além de uma marca de moda com coleções de acessórios e roupas.